Atravessadores ‘atropelam’ DPVAT

Seja na forma escrita ou por meio de vídeos, no site oficial do Seguro DPVAT o que não falta é informação alertando para a gratuidade da solicitação do benefício, que garante a indenização em caso de acidente de trânsito que resulte em morte ou invalidez permanente e o reembolso de despesas médicas e hospitalares devidamente comprovadas. Os avisos têm um porquê: evitar que os beneficiários do seguro sejam enganados por terceiros interessados em ficar com parte do dinheiro.

Em Natal, como em todo o resto do Brasil, há pessoas físicas e também empresas que abordam parentes e vítimas de acidentes, oferecendo-lhes, mediante pagamento de comissão, o serviço de assessoria jurídica. Funcionárias de uma dessas empresas podem ser vistas diariamente na frente do Walfredo Gurgel, maior hospital de urgência e emergência do Estado, a cata de “clientes”.

Na porta do Hospital Walfredo Gurgel – onde chegam as vítimas de acidentes de trânsito – pessoas que representam assessorias jurídicas dão plantão oferecendo o serviço.

Elas trabalham uniformizadas, com uma camiseta exibindo a logomarca do DPVAT e tudo mais. Portam ainda uma pastinha com fichas que preenchem com os dados das pessoas abordadas, além de distribuírem panfleto – todo trabalhado na publicidade – com o slogan “Acidentou??? Seguro DPVAT indenizou”, seguido dos telefones de contato.

Há ainda uma forte desconfiança de que as informações dos prontuários dos pacientes acidentados sejam repassadas a essas empresas para que elas possam fazer o contato por telefone.

Uma fonte da TRIBUNA DO NORTE que sofreu um acidente de moto e foi levada para o Walfredo Gurgel chegou a receber ligação de um advogado de uma seguradora. “Ele só pode ter conseguido meu telefone no hospital. Acontece que eu não cheguei a ir atrás da documentação para dar entrada no pedido de reembolso das despesas médicas, apesar de ter ido na seguradora e da insistência do advogado, que me ligou várias vezes, interessado na comissão que ganharia”, contou a fonte.

O delegado Frank José Albuquerque Silva, titular da Delegacia Especializada em Acidentes de Veículos (DEAV), afirma que há funcionários de hospitais envolvidos no esquema.  Ele faz a afirmação com base em um inquérito policial aberto em novembro de 2014 para apurar o caso de um Boletim de Ocorrência que teria sido fraudado com a intenção de comprovar o acidente de um paciente do Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim.

No inquérito, um auxiliar de enfermagem do hospital ouvido sobre o caso revela que em frente à unidade hospitalar há várias pessoas trabalhando com corretagem do Seguro DPVAT, e que inclusive existem lá vários escritórios montados com essa finalidade. O funcionário do Deoclécio afirmou ainda que indica pacientes vítimas de acidente de trânsito para todos os escritórios, e que quando o negócio “fecha” ele recebe R$ 150. Por mês, chega a fazer de seis a oito intermediações.

“Há funcionários em hospitais que ao ver chegar alguém machucado já procura saber se foi acidente de trânsito. A intenção é cooptar a pessoa para uma seguradora, que, por sua vez, a convence da necessidade do seu serviço dizendo que é muito difícil obter a indenização, mas que pode facilitar. Normalmente, a pessoa abordada é mal instruída e, às vezes, nem sabe que pode ter direito à indenização ou ao reembolso de despesas médicas e hospitalares através do Seguro DPVAT”, disse o delegado Frank Albuquerque.

O dinheiro, que era para ser todo da vítima do acidente, acaba sendo dividido com espertalhões, que chegam a abocanhar 20%, 30% e até 50%, segundo o delegado.

Fonte: seguros-se.blogspot.com / Tribuna do Norte

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