Jovem morto na Suíça tinha cancelado seguro de vida há 2 meses

Ele trocou o seguro por plano de saúde, que cobre apenas gastos médicos. Família contava com o valor da apólice para trazer o corpo para o Brasil.

A família do brasileiro Matheus Henrique Marioto, que morreu afogado em Zurique, na Suíça, terá de arcar com todos os custos para trazer o corpo para o Brasil. Ao levantar a documentação necessária para fazer o translado, a mãe do jovem descobriu que ele não tinha mais o seguro de vida que cobriria a maior parte dos custos. “Esse seguro é obrigatório para entrar no país, mas por algum motivo ele cancelou. Foi a informação que a agência de intercâmbio nos passou. Agora vamos ter que arcar com os custos, e a funerária na Suíça só vai liberar o corpo após esse pagamento”, afirma Luiza Sandra Bastos Vidal. Ainda segundo a mãe, o jovem teria cancelado o seguro há dois meses, quando chegou à Alemanha, onde faria intercâmbio de um ano. A Aiesec, organização sem fins lucrativos responsável pelo intercâmbio de Matheus, confirmou que ele cancelou o seguro de vida, contrato por ele diretamente com uma empresa Alemã. Segundo a nota enviada ao G1 pela assessoria de imprensa da organização, Matheus “teria trocado seu contrato de seguro por um plano básico que cobre apenas necessidades médicas na Alemanha”.

As informações foram repassadas à agência de intercâmbio pela empresa alemã Code4Business, onde o jovem trabalhava como estagiário. A nota informa, ainda, que a Aiesec está dando todo apoio à família e que “vai disponibilizar para a família uma quantia para auxiliar no valor do translado do corpo do jovem para o Brasil. Já que o seguro viagem, contratado pelo estudante diretamente com uma entidade alemã, não cobre custos no caso de falecimento”. No entanto, a assessoria não informou de quanto será essa ajuda financeira. De acordo com a mãe, o seguro de vida cobriria todos os custos para trazer o corpo de Zurique para o aeroporto de Guarulhos, cerca de R$ 25 mil, e a família só precisaria arcar com o transporte até São José do Rio Preto(SP), onde a família, que é de Assis, decidiu enterrá-lo. “Vamos velá-lo e enterrá-lo em Rio Preto, onde ele estudou e tem todos os amigos”, completa a mãe. O valor total é calculado em mais de R$ 27 mil. Campanha Diante da situação, a família e amigos de Matheus lançaram uma campanha nas redes sociais para levantar doações que ajudem a arcar com os custos do translado do corpo. Até a noite de quarta-feira (13), de acordo com os organizadores da iniciativa, foram arrecadados pouco mais de R$ 3,5 mil. “Essa é a nossa única esperança agora, porque não temos condições financeiras de arcar com todo esse valor”, ressalta Luiza.

A família também conta com o apoio da Unesp de Rio Preto, onde Matheus fazia mestrado na área de Ciência da Computação. A universidade já disponibilizou passagens de ida e volta para uma pessoa da família que queira acompanhar o translado do corpo e estuda outras formas de auxiliar. No entanto, a família não deve viajar para Suíça. “O Itamaraty já disponibilizou um representante que está cuidando de todos os trâmites burocráticos e vai acompanhar o translado do corpo da Suíça até São Paulo. Essa parte de documentação já está toda encaminhada, mas o corpo só vai ser liberado após o pagamento do translado.” Ainda segundo Luiza, a funerária da Suíça não estabeleceu uma data limite para eles levantarem o dinheiro, no entanto, a família está toda envolvida para que isso aconteça o mais rapidamente o possível. “Nós fomos pegos de surpresa com esse cancelamento desse seguro, mas estamos recebendo muito apoio dos amigos dele e da universidade e essa é a nossa esperança.”

Sobre o caso Matheus estava há dois meses na Alemanha para intercâmbio profissional de um ano e, segundo a família, todos os finais de semana ele viajava para algum país da Europa para conhecer a cultura e se divertir. No sábado, dia 2 de agosto, ele foi para Zurique, na Suíça, participar de uma das maiores festas de música eletrônica do continente, a Street Parade. O jovem estava com um grupo de amigos, que contaram que ele não foi mais visto depois de pular no Lago Zurique. Como Matheus não apareceu no local onde o grupo combinou para pegar o ônibus de volta de para Alemanha, dois amigos dele decidiram ficar em Zurique e procurar a polícia. O jovem foi considerado desaparecido e as buscas começaram no dia seguinte. A polícia da Suíça considerou o caso de afogamento e quase uma semana depois, no dia 8 agosto, um corpo com as características do jovem foi encontrado no Rio Limmat. A confirmação da identidade foi informada na segunda-feira (11) por meio de um exame de DNA feito com objetos retirados do apartamento de Matheus na Alemanha.

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