Seguro fiança pode ser solução se não há fiador ou cheque caução

safe-homePara alugar um imóvel, você precisa apresentar garantias

SÃO PAULO – O mercado de imóveis está aquecido.  Enquanto os preços encontram-se nas alturas, quem não pode realizar o sonho da casa própria não tem saída: o jeito é  continuar no aluguel. Mas, para alugar um  imóvel, você precisa apresentar garantias.

Muitos consumidores recorrem às opções  mais conhecidas, que são os fiadores ou a caução. Mas nem todo mundo aceita ser  fiador – afinal, os riscos são altos para quem  assume a responsabilidade. E há quem não  disponha do valor para usar como caução.

A saída, então, é o seguro fiança locatícia,  que substitui a figura do fiador no contrato  de aluguel e garante ao proprietário do imóvel  o recebimento dos aluguéis e encargos  vencidos que o inquilino não pagar. Para  saber como funcionam, suas características  e, o principal, os custos, veja as conclusões  do nosso estudo.

Para realizar o estudo, foram simulamos cenários no Rio de Janeiro e em São Paulo. Enviamos questionários para as nove  maiores seguradoras do ramo, mas apenas a Mutual e o Grupo BB Mapfre nos responderam.  Buscamos as informações que faltavam em sites, fizemos simulações e indagamos sobre as condições gerais. Avaliamos  quatro produtos (representam 98% do total oferecido no mercado), totalizando oito cotações em dois cenários.

Descontos progressivos na renovação

A lei que dispõe sobre a locação de imóveis  urbanos prevê, ao todo, quatro opções de  garantias para a locação de um imóvel. E o  seguro de fiança locatícia é apenas uma delas.  A burocracia para a contratação desse produto  é parecida com a de um seguro auto, embora  os parâmetros de análise sejam diferentes.

Para saber como funcionam, suas características e, o principal, os custos, veja as conclusões do nosso estudo.

A vigência varia de acordo com o que for estabelecido  no contrato, e pode ser anual ou plurianual.  As seguradoras costumam estipular  um prazo de 30 meses. Com o término do contrato,  a renovação é facultativa, mas algumas  empresas oferecem descontos para os clientes  que mantêm o relacionamento, como é o caso  do Grupo BB Mapfre.

Para essa seguradora em  específico, existe um bônus para cada renovação:  10% de desconto na primeira, 15% na  segunda e 20% na terceira renovação.

Cobertura é boa em caso de calote

Para apontar as apólices com melhor relação  custo-benefício, analisamos alguns  itens que julgamos mais importantes nos  contratos e que devem ser observados na  hora da contratação.

Na garantia básica de pagamento de aluguel,  todas as empresas possuem a responsabilidade  máxima de até 30 vezes o valor do  aluguel, e nenhuma cobra franquia nessa cobertura.

Por isso, todas foram bem avaliadas.  Esse item possui contratação obrigatória e garante  ao dono do imóvel o ressarcimento dos  prejuízos causados quando o inquilino deixa  de pagar os aluguéis, bem como das multas  moratórias quando for o caso. Nessa cobertura,  avaliamos a responsabilidade máxima da  seguradora, usando como base o aluguel de  R$ 1.500 e o valor da franquia, quando cobrada.

A cobertura de multa por rescisão é opcional.  Por sua vez, garante o pagamento de  multas por rescisão antecipada do contrato,  tanto se isso ocorrer mediante a entrega  das chaves ou quando houver o abandono  do imóvel, antes do recebimento da citação  – e desde que previstas em contrato. Nessa  cobertura, o valor pago pela multa é proporcional  ao período que falta entre a entrega  efetiva do imóvel e o prazo previsto para o  término do contrato.

Também avaliamos a  responsabilidade máxima da seguradora,  com base em um aluguel de R$ 1.500, mais  o valor da franquia (quando cobrada). Com  exceção da Mutual Seguros, as seguradoras  possuem responsabilidade máxima de até  três vezes o aluguel e não cobram franquia.

Todas cobram franquia por danos

A cobertura adicional de danos ao imóvel visa  ao ressarcimento pelos danos provocados pelo  inquilino aos bens cobertos pelo seguro. Em regra,  restringem-se aos bens fixados à estrutura  do imóvel, com natureza definitiva, e/ou que  façam parte integrante de suas construções,  como, por exemplo, as paredes.

Ao solicitar a contratação, será feita uma vistoria  e, posteriormente, a geração de um laudo  para a seguradora, descrevendo as condições  atuais do imóvel. Locador e locatário receberão  uma cópia para assinar.

Avaliamos a responsabilidade máxima da  seguradora, tendo como base o aluguel de  R$ 1.500, o valor da franquia e o limite mínimo  de indenização. Quase todas as operadoras  possuem responsabilidade máxima  de até seis vezes o valor do aluguel e cobram  franquia do locador de 20% dos prejuízos  causados pelo inquilino.

A cobertura adicional de IPTU, como o  nome sugere, garante o ressarcimento em  razão do não pagamento dos encargos legais  com o Imposto Predial e Territorial Urbano. Todas as seguradoras possuem responsabilidade  máxima sete vezes acima do valor do  IPTU declarado na apólice (chegando, em  geral, até 30 vezes), além de não cobrarem  franquia, nem limite mínimo de indenização  – ou seja, quando ocorre algum dano e o valor  dos prejuízos tem que ser, no mínimo, o estipulado  pela seguradora.

E a cobertura de pintura garante a restituição  dos danos, desde que reconhecidos por um  perito designado pela seguradora. Avaliamos  apenas a cobertura para a pintura interna, que  é interessante se os inquilinos tiverem filhos  pequenos. As seguradoras Porto, BB Mapfre e  Invest Seguradora foram bem, pois possuem a  responsabilidade máxima de até três vezes o  valor do aluguel, além de não cobrarem franquia,  nem limite mínimo de indenização.

Exclusões precisam melhorar

Assim como em todo contrato de bem ou serviço  que o consumidor vai adquirir, é preciso  ter olho vivo nas exclusões impostas pela empresa,  ou seja, tudo aquilo que não dá direito à  indenização. Para não ser pego de surpresa, leia  atentamente o contrato e verifique se o seguro  atende de fato às suas necessidades.

Em nosso teste, avaliamos uma série de exclusões  e constatamos que riscos como tumultos,  alagamentos, danos ocorridos a tubulações  hidráulicas e fiações por uso ou desgaste costumam  ficar fora da cobertura das seguradoras.  Nesse critério, todas as seguradoras obtiveram  conceito ruim. E, por isso, precisam melhorar.

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