Gisele Loeblein: é tempo de falar de seguro de renda no campo

Seguro rural cobriu 6% das lavouras do país no ano passado e será um dos temas da Expodireto Cotrijal

As projeções ainda são de bons resultados, mas toda vez que o clima paira como uma ameaça à colheita gaúcha, um antigo debate volta à tona. A necessidade de assegurar mais do que a produção, a renda do agricultor. Não por acaso, o seguro rural será um dos grandes temas da Expodireto Cotrijal, além de irrigação e logística.

– O seguro rural cobriu 6% das lavouras do país ano passado, enquanto que em países desenvolvidos essa cobertura chega a 80% – afirma Nei Mânica, presidente da feira.

Cerca de 40% do R$ 1,5 bilhão pago em prêmio no país em 2012 – os números referentes a 2013 ainda estão sendo fechados – foram de seguro rural.

A fórmula para dar mais segurança ao produtor, com um benefício que garanta também renda, pode ser uma maneira de as seguradoras diluírem os riscos da atividade.

– O que se percebe é uma grande centralização de demanda no sul do país, o que leva à concentração de risco – explica Bruno Kelly, professor da Escola Nacional de Seguros.

Ou seja, as adversidades climáticas da região fazem com que a procura seja grande. Mas como os riscos são elevados, o preço também cresce. Assegurar uma lavoura de soja custa mais no Rio Grande do Sul, por causa do impacto do clima, do que no Centro-Oeste, por exemplo.

Na avaliação de Bruno, o seguro de renda ou de preço, que cobre, além da perda da produção, a variação no custo de venda, é uma aposta para conseguir massificar o seguro agrícola e estará na pauta do seminário que será realizado amanhã em Porto Alegre, no auditório da Escola Nacional de Seguros, com entrada gratuita.

– A maioria dos produtores enxerga o seguro como custo. Mas é investimento – pondera Bruno.

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