Índice de roubo em alta no Rio faz seguro de carro subir até 15%

Aumenta o roubo de carros, sobem os preços dos seguros. A matemática é simples, pois o índice de violência corresponde a 40% da composição da apólice. Segundo números do Instituto de Segurança Pública (ISP), em outubro de 2013 — últimos dados disponíveis —, foram roubados 2.645 veículos no estado, ante 1.762 em igual mês de 2012.

Com a elevação de 50% nos índices de roubos, os valores das apólices vão ficar de 10% a 15% mais altos, estima o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Rio, Henrique Brandão. O custo do seguro de um carro popular, por exemplo, que vale R$30 mil, como Gol, Fiat Uno, Fiesta — os mais visados — sai por R$1.100, em média, nas regiões com baixo índice de roubo.

Com a correção pelo crescimento deste tipo de crime, o proprietário do automóvel pagará de R$1.210 a R$1.265 ao renovar o contrato com a seguradora, informou Marcelo de Souza, da Flap Corretora de Seguros. Em áreas com grande incidência de roubos de carros, como a Baixada Fluminense, o seguro para este carro, custa R$2.100. Ao assinar uma nova apólice, terá variação de R$ 2.310 a R$ 2.415.

Segundo o presidente do Sindicato dos Corretores, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense; a Zona Norte do Rio, incluindo bairros do subúrbio da Leopoldina, Rio Comprido, Méier, Bonsucesso, Olaria, Penha, Vicente de Carvalho, Irajá, Pavuna, Madureira, Rocha Miranda e Inhaúma; e dois na Zona Oeste — Bangu e Realengo — são regiões que mais sofrem com esse tipo de crime.

Segundo Brandão, na Zona Sul, no Centro e na Zona Portuária da cidade os preços são mais em conta para os proprietários. Os valores dos seguros em áreas como Botafogo e Tijuca, onde os roubos diminuíram, estão mais próximos das apólices das áreas mais baratas do que das mais caras.

“O índice de recuperação de veículos roubados é muito baixo. Dos carros que somem, a grande maioria foi desmanchada, então não temos como recuperar o automóvel. Os modelos mais visados são os que circulam em maior quantidade, como os populares. Isso acontece porque há interesse dos ladrões nas peças”, explicou Brandão. “As ruas mais procuradas pelos criminosos são as vias próximas de universidades, supermercados, festas e hospitais”, disse.

Comércio ilegal de peças alimenta crime

Compra e venda de peças roubadas de veículos fomentam o roubo de carros. De acordo com Marcelo de Souza, da Flap Corretora de Seguros, o comércio ilegal impacta diretamente no bolso do consumidor. “Enquanto uma apólice para um veículo que é pouco visado pelos assaltantes pode custar entre 2% e 3% do valor do bem, o seguro para um carro visado pelos ladrões pode valer dez vezes mais, dependo do perfil do motorista”, afirma.

O corretor ressalta que as seguradoras, além de analisarem a probabilidade de roubo do veículo, contam com outros informações para auxiliar no enquadramento e precificação da apólice. “Elas levam em conta estado civil do condutor, sexo, uso ou não de garagem na residência, trabalho e faculdade, entre outros dados, que variam de acordo com a empresas”, afirmou.

“É um paradoxo. Falam que a violência está diminuindo, mas ao mesmo tempo querem cobrar mais por um seguro. Não faz sentido”, assegura Paulo Buzzi, auditor independente, 50 anos, morador da Tijuca. Pai de uma criança de 5 anos, ele teme pela segurança da família.

Buzzi afirma que tem seguro há 20 anos, e mesmo sem nunca ter tido o carro roubado, ele mantém o serviço. “É preciso fazer, mesmo com o preço alto e problemas de administração”, admite o auditor.

No terceiro trimestre do ano passado, o roubo de veículos disparou em Rio Comprido (61,5%), Madureira (58,4%) e Realengo (52%) ante igual período de 2012, segundo dados do Instituto de Segurança Pública, compilados pela associação Rio Como Vamos, conforme antecipou a coluna Informe do DIA , no último dia 14.

Segundo o levantamento, em toda a cidade houve, no terceiro trimestre de 2013, crescimento de 19,4% de roubos de carros: os casos passaram de 2.655 para 3.169. A maior queda, de 50%, foi na Região Portuária. Em outubro de 2013 foram registrados 1.199 roubos de veículos na capital, alta de 38,61% ante igual mês do ano anterior.

Aumento virá nos próximos meses do ano

O aumento do índice de roubo de carros no estado, registrado em outubro de 2013, terá um impacto no valor das apólices já nos próximos meses, segundo Marcelo de Souza, da Flap Corretora de Seguros. Ele afirma são observados reajustes nas regiões após quatro ou cinco meses de alta nos indicadores. A correção ocorre na renovação do contrato. “Creio que os números não fiquem entre 10% e 15%”, estimou.

Ele explica que as seguradoras atualizam seus cálculos atuariais mensalmente, sempre com base nos índices de sinistralidade de cada região para, depois, reajustarem os preços das apólices. Segundo o corretor, a Zona Sul possui a menor taxa em prêmios de seguro de automóvel, seguida da Barra da Tijuca.

As áreas com a maiores tarifas securitárias, conforme Marcelo de Souza, são Grande Méier e bairros de Brás de Pina e Madureira. “Na Região Metropolitana e os municípios de Belford Roxo e São João de Meriti,na Baixada, existem diferenças de até 80% entre a menor e maior taxa de risco”, acrescentou.

Medidas de prevenção

O presidente do Sindicato dos Corretores do Rio, Henrique Brandão, e Marcelo de Souza, da Flap Corretora de Seguros, concordam que algumas medidas preventivas podem ser tomadas para diminuir os riscos de roubo de veículos.

Entre as que devem ser adotadas estão: planejamento no roteiro da viagem de carro; observar sempre se as vias têm boa iluminação, sinalização e se não atravessam áreas de risco; ao estacionar, o condutor deve verificar o entorno antes de parar, evitando locais desertos e com pouca luz.

Eles orientam ainda a não deixar dentro do veículo nenhum objeto que possa atrair a atenção de assaltantes. Evitar esquecer bolsas, mochilas e outros pertences no banco. As peças devem estar sempre no assoalho para dificultar a ação de criminosos. O motorista nunca pode reagir a uma tentativa de roubo.

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